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  • Nicholas Kluge

Neuroética, Naturalismo, Normatividade e Ética da IA

Atualizado: 11 de nov. de 2021



Começando com a virada neurocientífica na filosofia moral e social, tenho argumentado que a neurofilosofia pode nos ajudar hoje a reformular os problemas normativos de um programa de pesquisa naturalista em teorias éticas, jurídicas, sociais e políticas, focalizando particularmente o problema da relação entre a evolução neurobiológica de nossa espécie humana e a evolução histórico-social das civilizações, sociedades e grupos sociais, destacando a evolução e o impacto das novas tecnologias.


De um ponto de vista puramente naturalista e fisicista, parece que a normatividade seria inevitavelmente solapada a ponto de justificar um eliminativismo ou rejeitar quaisquer reivindicações normativas sendo estas, em última instância, redutíveis a premissas descritivas ou propriedades naturais.


Por outro lado, de um ponto de vista normativo irredutível, o naturalismo sempre será colocado em xeque por modelos dualistas, deontológicos ou universalistas de raciocínio moral, mesmo sem recorrer a quaisquer pressupostos essencialistas, transcendentais ou absolutistas. A Ética da IA acabou por ser, hoje em dia, uma das melhores maneiras de encontrar um equilíbrio entre versões reducionistas do naturalismo e modelos dogmáticos de normativismo (incluindo modelos teleológicos, utilitaristas e deontológicos de ética normativa).


Nesse sentido, a Ética da IA pode ser metodologicamente posicionada entre a Bioética enquanto subcampo da Ética Aplicada e a Neuroética enquanto subcampo da Neurofilosofia ou da Filosofia da Neurociência e das Ciências Cognitivas. Com efeito, o desenvolvimento de novas tecnologias aplicadas ao estudo do cérebro e do sistema nervoso foi decisivo para a consolidação da neurociência, esp. após o desenvolvimento de técnicas de neuroimagem (fMRI).


Ninguém questiona hoje em dia que a neurociência e as neuro tecnologias contribuíram decisivamente para novas descobertas sobre a evolução humana, tanto biológica quanto social, e sua autocompreensão da natureza humana e dos desafios éticos e normativos para seu futuro em um mundo complexo e em rápida mudança. Consequentemente, a Neuroética permite uma abordagem normativa aprofundada e desafiadora para a pesquisa em IA, que pode ser ampla o suficiente para incluir linhas de pesquisa metaéticas e ético-normativas, em diálogo com estudos jurídicos e filosofia da mente e da linguagem.


Principais projetos de pesquisa dentro deste programa de pesquisa:

  • Teoria Crítica, Normatividade e Justificação: Reconstrução, Socialidade, Reflexividade, PQ-CNPq (última fase: 2020-24);

  • Formação humana: Saberes e práticas para um mundo em movimento, em cooperação com a Universidade de Miami, Universidade de Bonn e Universidade Paris 8 (CAPES-PrInt, 2019-23);

  • Biossegurança, Saúde Pública e Responsabilidade Socioambiental (Núcleo de Ética Aplicada, PUCRS, 2017-2020);

  • Mídias Sociais e Processos de Tomada de Decisão: Razão e Emoção nas Relações Sociais (CNPq, MCT, Instituto do Cérebro, InsCer, 2012-19).



Para mais informações, acesse este link. Ou entre em contato com o professor Nythamar!

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